SXSW #5: O Brasil não está tão longe das cidades inteligentes

As cidades do futuro podem até contar com uma rotina tomada pelas tecnologias, mas na verdade elas precisam muito mais do que isso. Instrumentos tecnológicos sozinhos não são capazes de tornar grandes centros urbanos nas chamadas “Smart Cities”. Para que isso de fato aconteça, é importante estabelecer um esforço mútuo do setor público, privado e da população como um todo.

Entre as tantas classificações de uma cidade inteligente, a mobilidade é uma das maiores preocupações. Uma determinada localidade que enfrenta problemas de congestionamento, por exemplo, pode priorizar novos modelos de transporte com o auxílio de tecnologia. Essas novas tendências no segmento já são realidade nas grandes metrópoles que se preocupam em oferecer alternativas de locomoção à população. Neste caso, existem duas extremidades: de um lado, o incentivo a um novo mercado; e de outro, por incentivar e incorporar a tecnologia na rotina das pessoas. Essa é uma maneira de mostrar que a vida urbana pode ser melhorada com criatividade e inteligência. Consumo de energia, produção de lixo e infraestrutura de equipamentos públicos também enquadram as classificações desse sistema.

A Estapar, presente no evento, acompanhou a discussão de como nosso país consegue transformar o complicado no mais simples. Embora o acesso à ponta da tecnologia seja mais restrito no país, é inevitável afirmar que a criatividade é um dos pontos fortes entre os brasileiros. Ironicamente, esta “soft skill” é fundamental quando o assunto é cidade inteligente.

Na ocasião, foi apresentando um projeto que exemplifica essa ideia. O “Porto Alegre Inquieta” é um coletivo orgânico criado para conectar moradores da capital gaúcha com o propósito de estabelecer uma organização social colaborativa. A ideia do movimento é proporcionar o intercâmbio de informações mais simples entre as pessoas, facilitando acessos, democratizando a cultura e permitindo a troca de conhecimentos. Essa é uma ferramenta que mostra que não é necessário um grande instrumento tecnológico para tornar a cidade mais inclusiva, clara e comunicativa.

Essa ênfase no perfil criativo do brasileiro também coloca o país no ranking da IESE, escola de negócios da Universidade de Navarro, na Espanha. A entidade elabora anualmente o "IESE Cities in Motion Index" (CIMI) para classificar cidades inteligentes em todo o mundo. Para definir essas posições, a iniciativa avalia critérios que envolvem progresso e sustentabilidade, totalizando 83 indicadores. Hoje, Nova York ocupa o topo da lista por seu destaque nas dimensões econômicas, planejamento urbano, alcance internacional, capital humano e mobilidade. Essas bases também serviram para avaliar a posição de capitais brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Salvador e Brasília. A paulista é a melhor colocada na 116º posição e com maior destaque para mobilidade e coesão social (quando há consenso entre o grupo). Essa classificação, portanto, serve para ressaltar a importância da participação das pessoas na construção das “Smart Cities”. E o Brasil pode aproveitar o que tem de melhor para conquistar destaque no setor.